A tão (pouco) esperada 2.ª parte da saga do detective...

Lembram-se da primeira parte desta saga, que postei aqui no blog? Se não se lembram, não se querem lembrar ou nunca ouviram falar disto e só estão a ver este blog porque «pois, disseram-me que o Rui andava a ver se se curava da maluquice escrevendo neste blog, coitado, e eu estou a visitá-lo para satisfazer-lhe a vontade de ser lido...» (já começamos com as parvoíces outra vez...), podem sempre lê-la aqui.

E agora, sem mais devaneios, passemos à 2.ª parte desta história:

Olho Morto, Detective Público

Um caso muito particular

Parte 2

Quando cheguei à entrada do escritório, tive uma grande surpresa. Pensara que poderia estar à porta um bombeiro, um cobrador, um homem que faz publicidade porta-a-porta, e até mesmo um canalizador, mas afinal, não era ninguém de quem eu já tinha espectativa que fosse.

-Miguel Antunes! Há quanto tempo que não te via!
-Nelo Dias! Olá, pá!

Como qualquer português que se preze, cumprimentámo-nos por meio de um aperto de mãos, vulgarmente chamado de «Bacalhau», e um abraço, pois já não o via há muito tempo, e é preciso dizer que ele foi meu colega de escola do 1.º ao 4.º ano, e foi um grande amigo meu.

-Olha, Nelo, sabes porque é que eu estou aqui?
-Francamente, Antunes, não me vem à cabeça nenhum motivo para que estejas aqui! Explica-me! Passa-se alguma coisa?

(ah, e é preciso dizer que eu tenho a mania de tratar os meus amigos pelo apelido...)

-Não leste os jornais de hoje? - perguntou-me ele, com um ar já mais sério.
-Não tive tempo, pá. Hoje... hã... acordei mais tarde e vim a correr para o escritório.
-Então não sabes da notícia... - disse, com um ar ainda mais preocupado.
-Qual notícia? Qual notícia? Que se passou, Miguel?
-Lembras-te do Rui? O Rui Sousa?
-Sim, claro que me lembro! Nem era assim grande amigo dele. O que é que se passou com ele?
-Ele... morreu.
Fiquei em estado de choque. O Rui Sousa, morrer?
-Mas ele morreu de quê? - perguntei.
-Ele... foi assassinado.
-Mas como?! Que é que se passou?
-Calma, Nelo! Calma! Lembras-te daquele jantar dos ex-alunos da nossa turma, que o Rui estava a preparar?
-Hã? Ah, já sei, ele tinha-me telefonado há dois dias, mas eu disse que não podia ir. Foi ontem, não foi?
-Pois, e foi aí que ele morreu.

Nesse momento, eu pensava: «Mas porque é que ELE haveria de ser assassinado? Porquê?»
É preciso referir que o Rui era uma pessoa respeitável, não era pessoa de se meter em sarilhos, e era um escritorzeco, se não me engano. Por isso, é que eu não conseguia entender porque é que ELE haveria de ser assassinado.
-E eu fui o único que faltou a esse jantar?
-Sim, foste. Vim cá porque ele deu isto a todos os convidados, e tinha um para ti, mas como não estavas lá, eu responsabilizei-me e vim cá dar-te isto, só que quando a festa acabou, ele morreu. Morreu na altura exacta em que toda a gente ia voltar para casa!

O Miguel entregou-me, nesse momento, a dita coisa que o Rui tinha entregue a todos os convidados. Era um envelope. Não o abri naquela altura porque tinha chegado naquele momento o meu patrão, o chefe do escritório, o Inspector Navalhas (ele chama-se assim de apelido, e porque também, na realidade, ele até é um pouco sensível a sangue...)

-Olho Morto, quando acabar dirija-se ao meu gabinete.

Despedi-me do Miguel, disse-lhe que «Pois, coitado, não é? Mas gostava de saber quem é que quereria matar um homem que tinha umas ideias um bocado malucas e escrevia coisas um bocado extravagantes.». tendo ele concordado comigo.

Depois disto, dirigi-me ao «quartinho» do Inspector Navalhas. Bati à porta

-Entre, Olho Morto - Respondeu - Entre e sente-se. Não vou estar com devaneios, e vou directo ao assunto: tenho um caso para si.

Agradeci, mesmo um pouco contrariado, porque não me apetecia. Mas pronto, é o meu trabalho!

-E é um caso fresquinho, ocorreu ontem à noite.

Aí, eu fiquei espantado. Será que seria coincidência?

-Você vai investigar o assassínio do...

-...Rui Sousa? - perguntei-lhe, completando a frase.

-Cruzes canhoto! Como é que você sabe?
-Bom - disse-lhe - aquela pessoa que estava lá fora informou-me desse caso, e eu e essa pessoa fomos colegas dele na primária. E por acaso até estou interessado nesse caso.
-Então, olhe, ainda melhor assim! Vá já ao local.

Ele deu-me um papel com a morada do local do crime.

Finalmente, um caso interessante!

continua...

Comentários