domingo, 28 de março de 2010

Policial: a 4.ª parte

E cá está, fresquinha e saída dos subúrbios da minha mente, a 4.ª parte do policial, tão afamado e tão abençoado. Ou então, isto é mentira.

Olho Morto, Detective Público

Um caso muito particular

Parte 4

Parei um pouco para meditar.
Entrei no carro e liguei o rádio.
Ah! Que bem que aquilo me soube!
Adoro aquele ambiente.
No carro e com um CD de música clássica russa do século XIX.
Gostos não se discutem!
Mas, entretanto, no meio deste ambiente, resolvi pegar num papel e escrever todos os nomes dos meus colegas daquela turma, que tinham estado presentes naquele misterioso jantar.
Depois de ter acabado de escrever, olhei para aquela lista e vi que tinha mais suspeitos do que todos os que tinha tido em todos os meus antigos casos.
Teria de contactar e interrogar, um por um, todos os suspeitos.
Portanto, decidi logo começar, e pus o prego a fundo de volta para o escritório.
Chegado ao escritório, liguei o portátil, e abri no site das Páginas Amarelas. Estavam à espera de quê? Em Portugal, é isto que se arranja!
Decidi começar por ordem alfabética.
Portanto, procurei por «André Miranda», o primeiro suspeito dessa lista.
Ah, aquele sacana do André! Tinha-se tornado dono de uma companhia de supermercados, e tornou-se um dos homens mais ricos de Portugal!
Enquanto ele ganha rios de dinheiro não fazendo nada, eu ando para aqui a investigar casos grotescos e a ganhar uma miséria por mês!
Anotei a morada junto do nome dele na lista. Mas como eu estava ansioso para ver quem é que seria o culpado disto tudo (pois se fosse o André, eu gritava e rejubilava de alegria), decidi logo ir a correr para o carro e ir para a morada indicada.
Estava tão entusiasmado que deixei o PC ligado à corrente (e eu que não gosto nada de gastar energia! Pronto, mais uns euritos na conta da luz!)
Cheguei à casa do André, minutos depois. Era numa mansão muito grande! Acho que o meu apartamentozeco caberia dez vezes dentro daquele casarão!
Cheguei aos portões da casa e toquei à campainha. Ninguém respondeu. Toquei outra vez, e voltaram a não responder. Toquei mais 5 vezes de seguida e ninguém atendia. Já sem esperança, estava a ir-me embora quando chega um Lamborgini. O condutor olhou para mim, com a mesma cara de quem olha para o rosto da Lili Caneças. Abriu as portadas, com um comando, possivelmente, e entrou dentro do vasto campo relvado da entrada da casa. De dentro do carro saíram dois sujeitos, um que era o André e outro, o que conduzia, que devia ser o motorista.
O André reparou que eu estava à porta, e aproximou-se de mim.

-Ó senhor! Desculpe lá, mas queira fazer o favor de se ir embora! Já estou farto de vendedores de enciclopédias! - Disse-me ele, com ar de pessoa importante e com pressa.

Eu ia-lhe responder.

-Olha, desculpa lá, mas...
Aí, ele ficou furioso e ficou todo vermelho que nem um tomate geneticamente modificado.
-MAS QUE MANEIRAS SÃO ESSAS? VOCÊ SABE COM QUEM ESTÁ A FALAR?!

Bonito serviço. Deixou-me a cara cheia de saliva trazida directamente da sua boca.
Aí, eu também fiquei furioso, e como sou homem de muitos nervos e pouca fervura, também entrei no festival da berraria e do cuspo em excesso.

-MAS QUE MANEIRAS SÃO ESSAS DIGO EU! ENTÃO TRATA-SE ASSIM UM AGENTE DA AUTORIDADE! FICA A SABER QUE EU ESTOU AQUI PARA INVESTIGAR A MORTE DO NOSSO COLEGA RUI SOUSA! ANDRÉ, PORRA! NÃO TE LEMBRAS DE MIM?!

Aí, ele não reagiu. Alguns segundos de silêncio seguiram-se a esta deixa, até que ele finalmente respondeu.

-Nuno?
-Não - disse eu.
-Noémio?
-Não! - voltei a responder.
-Narciso?
-NÃO! CHAMO-ME NELO! CHAMO-ME NELO, CARAÇAS!
-Nelo! Era isso que eu ia dizer! Se me tivesses deixado falar! Então, pá! - respondeu ele. Se eu não tivesse dito o meu nome, estaríamos ali a tarde inteira para ele o descobrir.
-Agora não estou para grandes conversas, André - disse-lhe - estou a investigar o caso do Rui Sousa e preciso de te fazer umas perguntas.
-Está bem! Mas agora és polícia?
-Não. Sou detective.
-Ou isso. Mas entra. Vamos tomar um copo!

Não me apetecia nada rever aquela besta, que nem do meu nome se lembrava, mas fazia parte do caso, e da investigação.

Investigação essa que só agora estava a começar…

Continua...

1 comentário:

  1. Adorei a passagem da 'explosão de saliva, etc' para o diálogo lol. É mesmo à cómico eheh. Tá a ficar gira, tens de continuaar

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