segunda-feira, 1 de março de 2010

Coisas que me irritam (n.º 6) - A hipocrisia

E desta vez, para o «Coisas que me irritam», não vou pegar num tema que seja caricato ou inofensivo, mas numa coisa mais usual dos nossos tempos.
Quem nunca foi hipócrita na sua vida? Não me venham dizer que nunca foram, pelamordedeus!

Para quem não sabe o que é ser hipócrita, que vá ver ao dicionário, se faz favor. Não vou estar a cansar mais os meus deditos a dar-vos a definição da palavra, e também assim vocês dão uso aos dicionários (ou vão pesquisar na net, mas pronto).

Mas, se no final disto tudo, ainda não sabem o que é a hipocrisia, acho que vão conseguir perceber ao longo que vão lendo este post.

Por exemplo (não quero ofender ninguém, isto são só exemplos!!!), imaginem que quando vocês já fossem casados (como é malta nova que costuma ler o blog, tenho de falar com estes termos), e vocês acabaram de ter um filho, vai uma amiga vossa, já de longa data, e ainda solteira, visitar-vos. Ora, a primeira coisa que ela vai dizer é «Pois, vim cá ver como é que vocês estão», mas na verdade, o que ela estava a pensar era «Pois, eu vim cá ver o vosso filhote e morrer de inveja por vocês terem tido um filho mais cedo do que eu e eu vou ser uma infeliz e vocês são horríveis e um dia eu vou-me suicidar e ninguém vai dar por nada blablabla» (ok, exagerei um bocadinho).

Isto é hipocrisia.

Mas continuem a pensar no caso acima descrito. Quando vocês mostrarem o vosso filho a essa tal amiga, o que é que ela vai dizer? Vai referir-se a uma característica física do bebé com que se pareça com os seus progenitores. Por exemplo «Oh, que fofinho, tem mesmo as feições do rosto do papá e o sorriso da mamã». Mas o que é que estará ela a pensar realmente? «Que puto horrível, vê-se mesmo que tem o focinho horrível do idiota do Pai e a herpes da Mãe!».

Mais um caso de hipocrisia.

Mas, na mesma história, pode haver mais casos de hipocrisia! Para não vos estar a maçar mais com esta história da amiga de família, imaginem a altura de ela ir embora. O que é que ela diz, e de certeza que diz? «Quando é que têm outro, para fazerem um "casalinho"?». Mas o que ela estava realmente a pensar era «Se um bebé incomoda muita gente, dois bebés incomodam muito mais. Isto dos filhos é muito giro quando é com os outros. Ainda bem que sou solteira. E espero que vocês tenham uma data de filhos, até mesmo filhos em série, para sofrerem imensos infortúnios! Ahahahah! Ai esta asma!» (pronto, já estou a exagerar outra vez, mas acho que vocês compreenderam a ideia)

Mas agora passemos a outras situações. Por exemplo, imaginem que, daqui a 10 anos, encontravam a vossa professora de Matemática na rua. O que é que vocês lhe diziam? «Então, stôra, tudo bem? E lá em casa? E continua lá na Escola? Que bom, um dia destes, quando o meu filho já tiver idade, vou lá matriculá-lo. Talvez, com sorte, ele seja seu aluno. Tá bom. Até qualquer dia, stôra». Mas o que será que vocês estariam a pensar? «Aiaiaiaiai... foi aquela stôra, aquela bestazinha, que me chumbou no 9.º ano, e por causa dela hoje em dia trabalho numa empresa de vassouras, porque não consegui arranjar um emprego decente por causa daquele chumbo no exame nacional! Ai aquela cabron...».

E estando agora na temática da escola, mais um caso.
Imaginem que encontram uma (um) namorada (namorado) de infância (é bom ter pessoas de ambos os sexos a ler este blog), e é ela que vem ter com vocês, e fala convosco, blablabla, as conversas do costume. «Então, estás boa (bom)? Tudo bem?», é o que vocês lhe dizem. Mas o que vocês estão a pensar é «Então, estás boa (bom)... para os lados... um pouco alargada (alargado)... CARAÇAS! ESTA BALEIA (não me lembro do masculino de baleia, mas vou arriscar pondo aqui baleio) FOI MINHA (meu) NAMORADA (namorado)!!!»

E um outro caso de hipocrisia também relacionado com a escola.
Imaginem que encontram um antigo colega de escola. Ele é que chama por vocês, e depois vem ter convosco. Fala, fala e blablabla, e vocês dizem-lhe, para se despedirem «Foi bom ver-te outra vez. Até qualquer dia». Mas o que vocês realmente pensam é «Quem é este? Nunca o vi na minha vida. Será que é a minha memória? Não, não, eu estou com a memória a 100%». E depois também podem exagerar, que é o que eu gosto de fazer, e dizer «Estou perdido neste mundo! Tirem-me o cérebro e ponham-me um novo! O meu está a derreter! AAAAAAH!» (pronto, pronto, isto é a exagerar, mas não tem nada a ver com o resto da cena, mas acho que fica bem para terminar este parágrafo. Só isso.)

Terminando este post, um caso de hipocrisia mais directo. Vocês podem pensar que ai e tal eu, Rui Sousa, o gajo que faz isto tudo, é um tipo muito folião e um grande amigalhaço à frente de vocês, e que nas costas, digo mal de toda a gente, que até quando está a dormir sonho comigo a insultar-vos a todos, leitores deste mísero blog.

E acham que é assim?

ACHAM QUE É ASSIM?

HEM??? ACHAM???

...

...

...




Eu não, e presumivelmente vocês também não, porque ninguém me veio exprimir isto. Saiu tudo da minha cabeça (Lembram-se que, no questionário Proust, meti que a coisa que mais gostava de fazer era inventar? Ora porque será?)

E foi mais uma edição das «Coisas que me irritam».

Desculpem tanta parvoíce junta, mas é que quando eu misturo matéria para os testes e escrita, dá-me sempre isto. Desculpem lá qualquer coisinha, tá bom?!

Pronto, agora vou-me deitar que já faz tarde.

Boa noite.

...


...


...



Vá, vão-se embora, seus gatunos! Há pessoas que querem dormir!

Não têm mais nada que fazer? VÃO-SE EMBORA MALANDROS! SE EU FOSSE VOSSO PAI JÁ VOS TINHA DADO DOIS PARES DE TABEFES QUE ERA PARA VER SE IAM AO SÍTIO.

Vá, vão-se embora, a sério.

Pronto. Adeusinho.

1 comentário:

  1. Anónimo3/3/10 21:28

    Que post tão genuino senhor Rui, mas existe um problema...
    Ainda não o li, mas continua a ser genuino

    ass: Centeno

    ResponderEliminar

Se chegaram até aqui e tiverem alguma mensagem, crítica, ou opinação a fazer em relação ao que acabaram de ler, façam o favor de o escrever aqui. A gerência agradece e responde (se não forem nenhum príncipe da Malásia que tem 10 milhões de dólares para me oferecer, claro).